Revista Piaui
Cartas


SETEMBRO
Sugestão

Sou sem dúvida alguma o que se pode chamar de leitorassíduo da revista. Não faço assinatura pois não abro mão do prazer de ir até abanca de revistas para "ver se a piauí chegou".

Gostaria de elogiar, em especial, a matéria publicadasobre a Dilma Rousseff, publicada em alguma edição passada. Aproveitando adeixa, peço que, se possível, façam algo nos mesmos moldes sobre a Marina Silva (e quemsabe impressa em páginas recicladas).

Muito obrigado por proporcionarem um dos meu maioresprazeres: chegar em casa coma Piauí debaixo do braço, fazer meu chimarrão e sentar sob oabajur da sala.


Vitor Tassinari Dornelles , Santa Maria (RS)

DIÁRIO KEN COLGAN
Não gostaria de escrever à revista para comentar novamente a fatídica matéria do Ken Colgan. Mas não tive outra opção quando li a carta da Valéria Fontana comentando a minha carta. Infelizmente, a edição da revista privilegiou o ponto de vista favorável à matéria (hum...). Se houvesse sido diferente, e minha carta não tivesse sido tão editada, a Valéria saberia que eu também tive minha própria experiência na Amazônia, muito mais ampla e profunda do que uma viagem de poucos dias. Eu vivi durante 6 meses num bairro pobre de Manaus, a Compensa, numa casa de família, a qual até hoje considero como minha própria. Fiz viagens ao interior da selva, tive contato com comunidades ribeirinhas e indígenas, trabalhei com comunidades carentes em diversos projetos sociais na cidade, intercambiava experiências e contribuía com os meus amigos - também estudantes universitários do Rio - que trabalhavam no Centro de Direitos Humanos de Manaus, no SARES (Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social), na COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) entre outras organizações que proporcionaram a nós amplo conhecimento sobre a realidade regional. De volta ao Rio, trabalhei como coordenadora do projeto UNICOM-Amazônia, da PUC, que já levou mais de 180 estudantes do Rio para a Amazônia (o que talvez fosse surpreender a Valéria). Nosso projeto tinha acordo com a Igreja Católica e com o Exército, que são outras duas grandes frentes de ação na região amazônica, dada a fragilidade da presença do Estado. Assim, não posso negar que fiquei um tanto irritada com as insinuações de que as minhas opiniões pudessem ser fruto de um sentimento pseudo-nacionalista em mesa de bar. 

Não me senti pessoalmente ofendida pela matéria, simplesmente fiquei decepcionada que a primeira reportagem sobre a Amazônia (ao menos que eu saiba) de uma revista que admiro tanto  tenha sido tão... reducionista, e sim, um pouco ofensiva, visto que destacava mais os clichês de mosquito e de desorganização do que toda a revolução mental e espiritual que pode proporcionar a região (mas que talvez escapem aos turistas). Até mesmo a indiferença do Ken Colgan diante do Fórum Social Mundial, o maior evento de organizações sociais de nossos tempos apáticos, que em 2009 foi sediado em Belém para discutir os destinos da Amazônia, foi um demonstrativo, para mim, da superficialidade da visão dele sobre a realidade regional. E sim, Valéria, eu fui à Belém, porque não me contento com críticas vazias em mesa de bar, mas tenho como uma das causas da minha vida (sem qualquer demagogia) a defesa da Amazônia. E tenho o orgulho de dizer que Belém foi invadida por brasileiros de todos os cantos, desejosos de contribuir diretamente para a preservação da floresta e de seus povos originários. 

Enfim, é isso. Digo e repito: o biscoito de polvilho me pareceu muito mais interessante do que a selva que ocupa quase 2/3 do nosso território, lar de diversas formas de vida humana extremamente originais e de uma riqueza inigualável de fauna e flora. Talvez isso seja motivo suficiente para eu escrever à revista da qual sou leitora assídua. Como eu disse, na minha passagem pela Amazônia, senti-me estrangeira em meu próprio país, e descobri, paradoxalmente, uma brasilidade que desconhecia em mim. Então, eu teria gostado mais e achado mais original se a Piauí tivesse feito uma matéria com um urbanóide do centro-sul no meio da selva do que com um estrangeiro. Não tem nada a ver com nacionalismo, acho que todos os estrangeiros são super bem vindos no Brasil (aliás, eu sou casada com um), tem a ver com um ponto de vista diferenciado, com o qual, talvez, outros brasileiros pudessem se identificar e, quem sabe, mobilizar-se para conhecer melhor esta parte do país. Como também destaquei na minha carta anterior, sei que a Piauí não é uma revista panfletária, mas acho que certas causas valem - e precisam - que levantemos a bandeira (que fique claro, não a bandeira do Brasil, a bandeira da causa). 

Quando vi que aquela edição trazia uma reportagem sobre a Amazônia, fiquei tão contente! Achei que poderia ser algo relacionado com o Fórum, sabe-se lá. Eu havia voltado com toda a energia dos debates suscitados em Belém e, para a minha triste surpresa, a matéria destoava completamente daquele momento tão especial que eu e milhares de pessoas, do mundo todo e do Pará, haviam vivido há poucos meses. E que, aliás, foi tão menosprezado, quando não denegrido, pela mídia nacional. 

Mas, por favor, já que sou prolixa, é melhor não publicar minha carta editada, que fica sujeita a interpretações equivocadas (aliás, me arrependi de ter enviado a carta anterior). Ficaria satisfeita se somente este email fosse enviado à Valéria, a quem eu convido para um conversa de bar para que possamos trocar nossas experiências sobre a região. Se o Ken Colgan quiser, ele também será bem vindo.  

Monique França, Rio de Janeiro (RJ)

SÉRGIO ROSA
Ao ler a reportagem "Sérgio Rosa e o mundo dos fundos" (piauí_35, agosto 2009) senti-me no Velho Oeste - na versão italiana de Sergio Leone - revendo o famoso duelo final em que o Bom (Clint Eastwood), o Mau (Lee van Cleef) e o Feio (Eli Wallach) se defrontam em um duelo a três. O importante não é quem vai sacar primeiro, e sim quem vai atirar em quem e, mais importante, quem vai sair vivo do imbróglio. A reportagem de Consuelo Dieguez é o mais completo relato desse western-espaguete latino-americano. Ao ler o eletrizante script fiquei com a impressão que, até o momento, o Clint Eastwood da história é o empresário Sérgio Andrade, do bando do presidente Lula. O soturno Mau é interpretado por Sérgio Rosa, do bando trotskista de Luiz Gushiken. E o Feio - na versão italiana, Il Cativo - é Daniel Dantas. Uma triste história do moderno capitalismo de esquerda latino-americano.
ROBERTO SABOYA, RIO DE JANEIRO (RJ)


A reportagem de Consuelo Dieguez foi a melhor que já li nesta revista e das melhores que li em muitos anos na imprensa brasileira. Ela mostra que os representantes dos trabalhadores se aproximaram tanto da corrupção empresarial que passaram a chafurdar nela como, talvez, em nenhum outro país do mundo. Formaram a nova classe nova, se me permite um acréscimo à classificação de Francisco de Oliveira, do alto da sua dignidade nordestina de 75 anos, na falta do poder republicano. Texto primoroso e informações essenciais.
LÚCIO FLÁVIO PINTO, JORNALISTA, BELÉM (PA)


Equívoco injustificável na matéria sobre o presidente da Previ. Ela chama de pelegos os que antecederam Sérgio Rosa, Gushiken e Berzoini no sindicalismo bancário. Talvez ela não saiba que o que essa gente costuma chamar de "pelega" é a brava Contec, entidade sindical de grau superior que coordena as entidades sindicais dos bancários e securitários brasileiros. A Contec passou por duas intervenções governamentais - em 1964 e 1972 - e teve um presidente assassinado, Aluísio Palhano Pedreira Ferreira.

Com o golpe de 1964, Aluísio Pedreira teve seus direitos políticos cassados e passou a ser caçado pelos órgãos de repressão. Em fins de maio de 1964 asilou-se na Embaixada do México, indo posteriormente para Cuba. Em 1970 regressou clandestino ao Brasil. Seu último contato com a família foi em 24 de abril daquele ano. Depois desse dia, o silêncio. Os boatos de sua morte foram confirmados, em 1978, através de carta de Altino Dantas Jr., seu companheiro de prisão, encaminhada ao ministro do Superior Tribunal Militar, general Rodrigo Otavio Jordão Ramos. Segundo esse relato, Aluísio esteve prisioneiro durante onze dias, sofrendo as piores torturas. A Anistia Internacional confirmou esse depoimento.

Assim, esses senhores que se dizem sindicalistas - Sérgio Rosa, Gushiken, Berzoini e outros - não são dignos sequer de lamber as botas de Aluísio Palhano, pois hoje servem como sabujos ao que dita o governo. A cut hoje é o "braço amado" do governo. A "pelegada cutista" está envolvida nessa intricada trama envolvendo os fundos de pensão e as privatizações. Ardilosos, conseguiram estampar uma lenda maldita de peleguismo à Contec. Repetindo Joseph Goebbels, ministro da propaganda nazista, "uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade".
ISA MUSA DE NORONHA, BANCÁRIA APOSENTADA, BELO HORIZONTE (MG)

QUESTÕES CINEMATOGRÁFICAS
Moscou certamente não é um documen-tá-rio tão interessante quanto outros de Eduardo Coutinho, mas, ao contrário de Eduardo Escorel ("Coutinho não sabe o que fazer", piauí_35, agosto 2009), acho o distanciamento do diretor no filme uma reinvenção periódica acer-tada - assumindo (de verdade) essa -condição de "não con-trole" do cinema documentário. No mais, como leitor do periódico, fiquei muito feliz com esse novo espaço, sobretudo porque é escrito por Eduardo Escorel.
CID CÉSAR, RIO DE JANEIRO (RJ)


Bem-vinda, seção de cinema! Mas, com todo respeito a Eduardo Escorel, faltou "correr atrás" da complexidade da obra genial que Eduardo Coutinho, Diaz e o Grupo Galpão deram a Tchekhov e a nós! O verdadeiro desafio, ao escolher Moscou, não consistia nos arrolados pelo crítico (Coutinho amigo, João Moreira Salles produtor e editor da revista), mas em perceber o quanto a compreensão profunda da obra do escritor russo levou o cineasta a adequar seus procedimentos artísticos a ela. Coutinho não está ausente de Moscou, mas realizou com maestria um dos paradoxos mais fascinantes da arte moderna que Tchekhov ajudou a fazer nascer: é justamente "desaparecendo" como interlocutor que Coutinho mostrou saber exatamente o que faz.
ROBERTO ALVES, SÃO PAULO (SP)


Cartas na mesa: gosto de teatro e acho cinema a maior diversão. Vou ver Woody Allen sem ler o que os críticos falaram sobre seu último filme. O "pior" Woody Allen é sempre muito bom. Para mim, o mesmo acontece em relação a Eduardo Coutinho. Ele sempre tem uma carta na manga, ele é diferente, é único. A crítica de Eduardo Escorel é muito bem escrita. Passeia pelas incertezas do documentário como nenhum crítico seria capaz: Escorel, como documentarista que é, sabe. Há um certo carinho, quando encerra dizendo que aguarda novos e surpreendentes filmes de Coutinho. Mas... o título é capcioso. "Sempre haverá alguém disposto a dizer que o novo filme de Coutinho é uma obra-prima" significa que o prêmio recebido no Festival de Paulínia foi dado por, com o perdão da expressão, babacas? Ao sair do Ar-teplex, depois de assistir a Moscou, vi grupos, aqui e ali, discutindo o filme. É a maior homenagem que um cineasta pode receber. Coutinho não sabe o que fazer? Imagina quando souber!
R. PESSANHA, RIO DE JANEIRO (RJ)


Ufa! Finalmente agora existe um espaço dedicado ao cinema na piauí. As ponderações de Eduardo Escorel sobre Moscou me fizeram lembrar, provavelmente por registrar no início do texto sua amizade com Eduardo Coutinho e João Moreira Salles, de uma frase de Aldous Huxley: "Uma das principais funções de um amigo é suportar (sob forma atenuada e simbólica) os castigos que nós gostaríamos, mas não temos possibilidade, de infligir aos nossos inimigos."
ÂNGELA BEATRIZVIANNA, PORTO ALEGRE (RS)

BISHOP
Elizabeth Bishop não pescou golfinhos em Cabo Frio. Em inglês, o nome dolphin tanto pode indicar o mamífero golfinho (ou boto) quanto o dourado marinho que se aproxima de nossa costa nos meses de verão. É um peixe muito veloz, que nada em cardumes. Sou filha do anfitrião de Elizabeth - Manoel Leão - e me interessei muito pelas cartas que a piauí publicou.
MARIA LUIZA LEÃO, RIO DE JANEIRO (RJ)


As cartas de Elizabeth Bishop ("O Brasil é mesmo um horror", piauí _35, agosto 2009) são um momento de prazer e ócio, tal a delicadeza e a beleza de suas curtas palavras ao amigo. Para mim, com a semana atarefada e carregada de responsabilidades, a leitura daquelas cartas se transformou em momentos de relaxamento e prazer estético.

A introdução de Otavio Frias Filho é, em minha opinião, dúbia. Ao passo que ele promove uma eficiente reconstituição dos fatos históricos, sua análise crítica da pessoa de Bishop é sofrível. Ele é incapaz, por exemplo, de compreender a mente política de Elizabeth, ao classificá-la como "alguém que não se interessava por política nem tampouco a compreendia", ou refere-se à "etnografia involuntária" da poetisa, como se ela fosse um acidente cultural, gerada aleatoriamente pelo seu ambiente de origem. Além disso, fica claro que para Otavio Frias Filho (e muitos outros articulistas de piauí), se você critica as esquerdas, então você não pensa!

Finalmente, a tradução sofre pelo abuso de tempos verbais compostos, incapazes de refletir, no inglês, o equivalente do futuro do indicativo no português.
JOSÉ MARCOS A. FIGUEIREDO, BELO HORIZONTE

MILAGRE DE JUAZEIRO
A matéria de Lira Neto ("O milagre de Juazeiro volta a Roma", piauí_35, agosto 2009) não toca no livro de Ralph della Cava, pesquisado entre 1962 e 1964 e editado em inglês pela Columbia University Press, em 1970, e em português pela Paz e Terra, em 1976. O trabalho do professor Della Cava é riquíssimo e, a meu juízo, deveria fazer parte das informações passadas ao leitor, para que se possa entender melhor as reviravoltas ocorridas na política eclesiástica referente ao Brasil.
ROBERTO SCHMIDT DE ALMEIDA, RIO DE JANEIRO (RJ)

PIAUÍ 34
Um amigo voltou de uma viagem ao Brasil e me passou a piauí de julho, dizendo: "Me deram no avião, você conhece?" Dei um beijinho mental na companhia aérea que distribui a revista a seus passageiros (esqueci de perguntar qual é).

Comecei pelo Hany ("Hany no Alá-lá-ô"), pois gostei muito de Paradise Now e foi bom saber que ele está gostando do Rio, do que eu chamo de friendliness of strangers no Brasil. Ele que aproveite, o sortudo!

Amei os cartuns, amei o vencedor do concurso literário do poço profundo e, quando cheguei no pinocle, na Dilma e nas fotos de Brasília, tudo muito surreal, fui retirando alguns parafusos e terminei me sentindo como se nunca tivesse deixado o Brasil. Tonta feito uma barata. 

Um dia eu passo por aí para pegar o meu pinguim. Como é que eu vivi até hoje sem ter um? Ele adoraria viver na praia e eu teria uma companhia.
SHEILA C. THOMSON_SURFSIDE, FLÓRIDA


Não sei se sou muito excêntrico, mas adorei a irreverência do relato do gringo. Acredito na necessidade de manter uma possibilidade de mudança viva, independente de como é nomeada. Ainda tenho dificuldades com a nova ortografia. Achei extremamente interessante a materialização de um "lugar" sem Michael Jackson. E, principalmente, estive muito mais interessado, nas prospecções à vida da ministra, em vislumbrar como funciona, na prática, a gestão de um país gigante como o nosso...
MARCOS BRAZ, NITERÓI (RJ)

ESQUINA DA COR
Duas edições atrasado, pero... A cor descoberta pelo professor Lenhardt ("Nem Da Vinci", piauí_33, junho 2009) já era conhecida de Neil Armstrong há quarenta anos, e ele contou para o Ziraldo. Esse último a batizou de "flicts", a cor da Lua! 
GUSTAVO FATTORI, ITATIBA (SP)

EQUÍVOCO
É uma falta de respeito à ética jornalística e a um profissional o que ocorreu na reportagem "Sorria! O Inferno não existe. A má notícia é que o Céu também não", publicada na edição de agosto da piauí. Na matéria citada, o repórter entrevista o presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, Daniel Sottomaior, que conta um caso por ele investigado envolvendo o meu nome, Léa Maria Lopes. Eu tinha sido entrevistada, há mais de quatro meses, por um jornal de minha cidade, Jundiaí, para uma matéria sobre a Páscoa que tinha como enfoque a importância da religião na vida das crianças. Respondi às perguntas feitas pela repórter.

A Associação, que nunca entrou em contato comigo, afirma ter discordado de uma frase dita por mim. O contexto da frase, dentro da reportagem, não é levado em conta. Considero um absurdo uma revista do porte da piauí permitir que alguém seja citado, e criticado, sem que a pessoa tenha sido ouvida. Sou psicóloga há mais de dez anos e tenho registro no Conselho Regional de Psicologia.
LÉA MARIA BORGES LOPES, JUNDIAÍ (SP)

PAMONHA
Fiquei encantada com a homenagem a Piracicaba na edição especial de tão letrada publicação ("A contribuição de Piracicaba na arte nacional", piauí_flip 2009). Gostaria de esclarecer, entretanto, que a contribuição maior da cidade é a pamonha - a legítima, claro. Quiçá a iguaria valha um livro, posto que é doce e faz bem. Palavra de caipira.
MARIA FILOMENA, SÃO PAULO (SP)

DIÁRIO KEN COLGAN
Senti necessidade de comentar as cartas de Monique França e de Cassio Betine, relativas ao diário de Ken Colgan (piauí_34, julho 2009).

Há duas semanas estive na Amazônia com minha família para uma viagem semelhante à feita pelo inglês Ken Colgan. Sou brasileira, mas morei muitos anos na Europa, e não entendo a indignação, ou sentimento de ofensa, de alguns leitores  com cartas publicadas. O que Colgan escreveu de errado? Seu diário não me parece ofensivo para ninguém, nem suas impressões e sensações soam exageradas ou preconceituosas. Muito pelo contrário: apesar das dificuldades e contratempos, Colgan se diz muito satisfeito com a experiência brasileira, sem qualquer ironia.

Uma nota a respeito das viagens na Amazônia: quantos brasileiros - especialmente aqueles que gostam de defendê-la em conversas de bar, como patrimônio nacional - já visitaram a floresta e experimentaram um pouco da vida naquela região? Em minha viagem, assim como Ken Colgan, só vi estrangeiros. E mesmo os organizadores do tour afirmam que são extremamente raros os turistas brasileiros (excluindo a clássica visita a Manaus e seu teatro).


VALERIA FONTANA, SOROCABA (SP)

BIGODE DO BANDEIRA
O verbo empregado na matéria "O bigode de Bandeira" (piauí_34, julho 2009), citando jornais de época, consta ora como raspar, ora como rapar. Segundo uma edição antiga do Aurélio (ainda não tenho a nova), rapar, v. t., desgastar, corte rente ao pêlo. Raspar, v. t., tirar com instrumento adequado, parte da superfície de, fugir, tocar ou ferir de raspão, apagar com a raspadeira. Pelo acidente do poeta Manoel Bandeira seria, então, raspar, pois ao tocar ele foi ferido de raspão. Ou ainda os dois estão certos?
ANTONIO CARLOS NOGUEIRA, FORTALEZA

BOLSA-PIAUÍ
Abri a revista deste mês e me deparei com o maior absurdo do mundo. Pensei logo, todos têm um preço. Vender duas páginas da revista para uma propaganda do governo federal sobre o Bolsa Família é estar mesmo muito desesperado por dinheiro. Ou vocês não estão recebendo o de vocês? O Bolsa Família é um engodo para que o nosso presidente ganhe popularidade. Sinceramente não esperava por isso. Sou assinante e pago a revista, até suporto ver propaganda dos bancos, mas do governo é muito para mim.
CARLOS TADEU PANATO JR, PORTO ALEGRE (RS)
nota do editor: Temos nos empenhado com ardor em receber todos os tipos de mimos que se nos apresentarem. Bolsa-Pinguim, apartamento funcional em Brasília, vale-jatinho, uma subdiretoria da gráfica da Câmara, um campo de pré-sal, um lote de Tamiflu, um crachá da Ancine, uma vaga no Conselho de Ética do Senado, não recusamos nada.

ALGUMAS LINHAS SOBRE.
A minha sagrada preguiça internética me fez adiar até o número seguinte o elogio rasgado que queria fazer ao genial "Exclusivo: nenhuma linha sobre...". O mínimo que posso dizer é que o referido mote me conquistou para sempre como leitor assíduo da piauí, um verdadeiro oásis na estupidez reinante no "jornalismo literário" - incluindo os "papas" da tal Paraty! A fúria politicamente correta de certos leitores, nas Cartas, me fez recobrar o ânimo para o elogio adiado. Parabéns pela maravilhosa e inteligente "falta de respeito" cometida!
ROBERTO ALVES, SÃO PAULO (SP)


O New York Times, a Newsweek, a Time, as últimas com edições especiais, noticiaram com ênfase, sensibilidade e propriedade a perda de um artista emblemático de nossa época. A revista piauí, supostamente tão afinada com as questões culturais, achou o tema indigno de suas páginas. Depois disso, para mim, também se tornou indignidade a leitura da revista, coisa que fiz desde seu primeiro número.
CECILIA MEDRADO, NOVA YORK

 

 

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