LUTA DE CLASSES
É com certo pesar e (relativamente à realidade é) com certo pessimismo que leio as linhas do meu duplamente xará, daquele Gustavo Henrique de Brasília. Xará que, como morador (do centro) daquela Disneylândia que é a Capital Federal, pode tão bem e com tamanha propriedade não captar o teor das patentes preocupações do filósofo e com toda a urgência, bem como com a atualidade dos temas abordados, com a peculiaridade e a perspicácia costumeira de Slavoj Zizek. Sujeito (histórico em vias voluntárias de conscientização constante) que é muito mais psicanalista, filósofo e esloveno do que aquele típico "comedor de criancinhas", estereótipo enxergado (ou mal visto) pelo meu xará, e que, inegavelmente, ainda habita o imaginário de todos aqueles que se re encaixam, cotidiana e hipnoticamente, à todas as modalidade de mal-estar inerente aos processos civilizatórios contemporâneos...
Estes que quando não são, conforme as palavras de Jacques Rancière, membros ou inseridos no corpo social como "parte de parte alguma", são aqueles que, pela pretendida manutenção dos "compromissos entre o Estado e Sociedade Organizada" não compreendem o teor tanto da urgência e da essência do que se entende por "comunismo". Ou da coletivização de problemas e de soluções ou, ainda, do tornar "comum" a dinâmica de solução de impasses e da majoração do nível de importância de certos interesses, de indiscutíveis (e urgentemente repensáveis) integrações (entre natureza e civilização, por meio da ciência e da tecnologia), de problemas e de soluções enxergados e mediados por uma gestão comum. Comum e comunista no sentido de coletivo, desde a base social até aos seus fins civilizatórios...
Mas, porém, e infelizmente, quando não são estes "conservadores", tradicionalmente auto-intitulados de "direita" ou de "liberais" (mas, estes mesmos que são também os primeiros a publicarem em letras garrafais, quando conveniente, "somos todos socialistas agora", com a imagem da mão do Estado em uma aliança ("socialista"?) com o mercado em frangalhos; e aqui me refiro à uma edição - e à sua capa - da revista estadunidense ou, sem o adjetivo pátrio, "liberal-conservadora", Newsweek, de fevereiro de 2009, quando da celebração da socialização das perdas do mercado, certamente festejada pelo meu outrora referido xará; mas, quando não é ele ou não são os deles a falarem assim) são assim mesmo que falam e pensam a maioria dos apadrinhados pelos ideais e pelas idéias desta síntese que decorre da junção da (suposta ou meramente positivada e, de fato, utópica) democracia e, na crista da onda do século 21 - e envolto às marés e aos maremotos das crises, também, do livre-mercado.
Torcendo todos (mesmo que inconscientemente) para que este (tal mercado) esteja sempre apto à ser salvo pela mão forte do Estado. Deste ente que supostamente é o representante, fiel gerente e garante dos interesses coletivos, mas que, de fato, apenas mantém longe da comida e da festa os órfãos (entorpecidos pela "cola-de-sapateiro" transvalorada, quando o órfão consegue se manter empregado, nos bem sabidos e famigerados "sonhos de consumo" e nos demais "ópios sociais"... Sejam comportamentais e falaciosamente culturais ou sejam estes meramente tecnológicos).
Gustavo Henrique Ferreira, Uberlândia (MG)
MANIFESTO
Sou de Porto Alegre e faço mestrado na Agronomia da UFRGS. O que eu envio é uma descrição do Restaurante Universitário da Agronomia e o tipo de comida que estamos comendo. É terrível a qualidade do que nos servem. Já reclamamos, já enviamos e-mail, já telefonamos, mas... parece que sentem prazer em nos servir a lavagem que nos é servida.
Sei que é um texto mal escrito, com um português sofrível e com uma boa quantidade de repetições. Mas, se puderem publicar, apesar de grande, eu agradeceria. Sou assinante da piauí e adoro esta revista.
Nenhum desafio da minha vida foi tão grande quanto o de me manter vivo comendo a comida do R.U (Restaurante Universitário) da Faculdade de Agronomia da UFRGS. Morgan Spurlock, que fez o documentário "Super size me (2004)" não passou, comendo McDonalds, metade do perigo que passamos todos os dias após o almoço. Creio que nem o fato de eu ter ido morar em Porto Alegre e ter a audácia de viver por 5 anos com 300 reais mensais, nem vencer as estatísticas passando no vestibular após uma vida ensino público, nem as felicidades e as desilusões das coisas do coração, nem nada mais se compara ao medo de antes do almoço e a alegria de depois do almoço. O medo do que virá, apesar do cardápio que é divulgado, e a alegria de nem sempre ter que correr para o banheiro com diarréia.
Quando entrei na UFRGS, em 2003, ouvia muito falar que a comida servida nos diversos R.Us tinha melhorado consideravelmente. E, de fato, a ração que nos davam era muito boa, perto da fama que tinha. Mas, há algum tempo isso mudou. Radicalmente.
Vejam bem o nosso drama. No cardápio sempre tem arroz, feijão (ou lentilha), uma gororoba misturada que eles chamam de guarnição (que é sempre uma fonte extra de carboidrato), uma carne (ou um aglomerado de restos de carne) e uma sobremesa. Ok, não parece tão dramático. Mas farei uma análise criteriosa do que nos é servido:
-Arroz: sempre cru e embolado. Gastamos metade do nosso tempo do almoço tentando desfazer os tijolos que o arroz forma. Em breve existirão livros de teorias acerca da agregação do arroz do R.U.
- Feijão: Queimado, aguado e com os grãos desmanchados. Em meio ao alho tem o feijão. A receita é basicamente um ensopado de alho onde se colocam alguns grãos de feijão batidos no liquidificador.
- Guarnição: quando me falaram que tinha uma guarnição no cardápio, pensei que haviam uns soldadinhos vestidos com um daqueles uniformes que a gente vê nos filmes de velho oeste americano, prontos para nos obrigar a comer toda aquela porcaria. Aliás, não chamemos de porcaria, pois se eu tivesse um porco não daria para ele a comida do R.U na lavagem, por pena do animal. Pois a guarnição é sempre uma coisa crua ou cozida demais (abobrinha, batata, berinjela, macarrão, etc.) com queijo de natureza e procedência duvidosa (note que algumas vezes o cheiro de ranso é forte) e muita, mas muita mesmo, cebola. Praticamente a receita é cebola com alguma coisa. O R.U da Agronomia é o único lugar do mundo que põe cebola no purê de batatas, e quase não tem batatas.
- Carne: a carne é meu maior motivo de reclamação. Primeiro, tudo tem carne. Se deixar tem carne e cebola até no suco e na gelatina. O R.U é o terror dos vegetarianos, e aqui no Rio Grande do Sul vegetariano é sinônimo de doença infecto-contagiosa. Aqui se cozinha o bicho morto em panela de pressão por, aproximadamente, uns 5 dias. A carne se desmancha com a respiração de quem come. Mas o pior são os stickers de peixe e a carne moída. O sticker de peixe é um emaranhado de tudo o que sobra dos peixes gostosos e respeitáveis que vão para os mercados. Ou seja, após limpar o que vem da água, separa-se o que ainda presta e se faz raçaõ para gato, o que sobre é colocado no sticker. Até escamas já vi encontrarem enquanto comem, e isso não é história e nem exagero. Mas a carne moída... da última vez que peguei carne moída no buffet pensei que tinha pisado em um cocô de cachorro (tem muitos cachorros no campus da Agronomia). Não sei se era um ovo podre no meio da carne ou se era uma carne podre no meio do ovo. Não vi ninguém comer e nem dar para os animais. Naquele dia os cachorros passaram fome.
- Sobremesa: opções são frutas, cremes ou doces. Os doces são mariolas, mandolates ou passoquinhas. Os cremes são de alguma coisa com muita gelatina. Você come e não digere, passa reto pelo sistema digestivo sem deformar o pedaço que foi colocado na boca. Mas o terrível mesmo são as frutas. Sempre verdes ou muito velhas. O melão é uma esponja. É louco quem come. Se você quer ter um derrame estomacal estufatório, coma o melão e beba o suco. As bananas são sempre verdes. Verde mesmo, fica difícil até descascar.
- Salada: não tenho muito o que falar sobre a salada, pois não como salada. Não gosto de vegetais folhosos crus. Uma bruta frescura que me salva de mais alguns atentados praticados no R.U.
Não existe drama ou qualquer mentira nesta história, talvez uns exageros. Mas nem citei as vezes em que vi dentes serem quebrados por pedras do feijão.
Em 2003, a reitora da UFRGS era Wrana Panizzi, que podia ser vista, frequentemente, no R.U do campus do centro. Isso causa sempre uma pequena pressão nos funcionários do estabelecimento, que zelam pela qualidade do produto que está sob sua responsabilidade. Não sei o quão comível está a comida nos outros restaurantes universitários da UFRGS, mas na Agronomia o que se vê é o retrato da dor. Talvez se o reitor atual mostrasse o mínimo interesse no bem estar dos seus alunos dos cursos que, talvez, ele considere menos nobre, talvez algo melhore para nós. Para ser sincero, nem representante da reitoria, que não fosse da própria Agronomia, foi visto nas últimas duas formaturas (uma que eu assisti e outra em que me formei). Na verdade, sequer vi algum reitor depois da Wrana, a não ser em fotos em eventos de inauguração fechados para alunos e nas faculdades relacionadas às ciências jurídicas, econômicas ou médicas.
Há quem diga: não reclame, tanta gente está por aí passando fome. Mas eu sempre fiz a minha parte no mundo, pago os meus impostos e não tenho nenhum problema em reclamar da comida que eu como, até porque, se eu não comer, nenhum funcionário irá levar até uma família que está passando fome. Quando posso, trabalho em ONGs, ajudo quem posso e acho uma bruta hipocrisia argumentar desta forma, ainda mais quando isso vem de uma maioria que se acha um santo humanitário porque uma vez por ano contribuí com a festa do trapalhão, doando sete, quinze ou trinta reais.
Agora deve haver quem diga: então porque não come em outro lugar? Aqui não há nenhum estabelecimento que venda comida num raio de alguns quilômetros. Estamos presos ao R.U da Faculdade de Agronomia da UFRGS e, por falta de opções, reclamando para as paredes, pois ao reclamar para as pessoas não somos ouvidos.
Sabe o que eu odeio mais: o ar de superioridade da minha gata, comendo uma saborosa e saudável ração. Que inveja.
Estrela do Palato Duro, Porto Alegre (RS)
SORRIA! O INFERNO NÃO EXISTE
É uma falta de respeito à etica jornalística e a um profissional o que ocorreu na reportagem "Sorria! O inferno não existe. A má notícia é que o céu também não", publicada na edição de agosto desta revista, a Piauí. Na matéria citada, o repórter entrevista o presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, Daniel Sottomaior, que conta um caso po r ele investigado envolvendo o meu nome, Léa Maria Lopes, sem que nunca tenha sido procurada. Sendo assim, é um absurdo uma revista deste porte, com circulação nacional, permitir que o nome de uma pessoa seja citado, e esta criticada, e a mesma não seja sequer ouvida, como aconteceu. Sou psicóloga há mais de dez anos e tenho registro no Conselho Regional de Psicologia. Fui entrevistada, há mais de quatro meses, por um jornal de minha cidade, Jundiaí, para uma matéria sobre Páscoa que tinha como enfoque a importância da religião na vida das crianças. Respondi às perguntas feitas pela repórter. Esta associação, que nunca entrou em contato comigo, afirma ter descordado de uma frase dita por mim. Eles têm o direito de ter opinião sobre o que quiserem, desde que se informem. Daí, surge também um equívoco, já que o contexto da frase, dentro da reportagem, não é levado em conta. Além disso, a afirmação feita pelo presidente desta associação contri bui para criar uma imagem do psicólogo como aquele que dita o que é certo e o que é errado, sendo que esta não é nossa função. Pensamos sobre o que é ou não saudável, dentro das particularidades de cada ser humano. Entretanto, ainda assim, a Piauí abriu espaço para que esta associação se manifestasse e citasse, por completo, o meu nome, criticando o meu trabalho. Não pensaram que deveriam me ouvir. Certamente este é um erro sobre o qual estudantes de Jornalismo, ainda no início da faculdade, aprendem a não cometer: ao escrever uma notícia, ouça os dois lados do fato. Isto não ocorreu. Nunca fui procurada. Espero as devidas providências.
Léa Maria Borges Lopes, Jundiaí (SP)
BEBÊ ARTHUR
Relendo o nº 4 de janeiro 2007da PIAUí, na página 6, voltei a ficar emocionado com o nascimento de Arthur, o menino que nasceu em 4 de agosto de 2006, pesando apenas 0,385 kgs. Tendo passado dois anos daquela demonstração de competência dos médicos, da fé dos pais e do desejo de viver da criança, fico curioso em saber como está Artur. Será possível?
JAIME DUARTE, Rio de Janeiro (RJ)
MICHAEL JACKSON
E daí que vocês ignoraram Michael Jackson? Muito mais gente ignora que essa revista pra lá de pretensiosa existe. Ainda bem que existem outras publicações que não deixam os seus leitores na mão, vide: New Yorker. Tudo bem, eu sei que Nova Iorque, não chega aos pés de sampa, EUA então, está assim atrás do Brasil em termos de cultura...Da qui pra frente, vou me vangloriar por não ler a a Piauí!
Rosana Lessa, (PI)
MICHAEL JACKSON
Gostaria de comentar as críticas a piauí quanto a frase estampada na edição 34 (Julho/2009): EXCLUSIVO!Nenhuma linha sobre Michael Jackson. Não acredito que a intenção de piauí tenha sido a de ignorar, vangloriar-se ou tripudiar sobre o fato como alguns leitores afirmam. Mas sim ironizar este que se tornou o "Big Brother" da vez e que deixou este caro leitor tão saturado quanto.
Nas últimas semanas, todos os noticiários e todas as emissoras de TV do mundo, sem qualquer exceção, têm realizado uma cobertura maciça sobre o caso da morte do rei do pop, Michael Jackson. O caso ganhou destaque da mídia, com direito a plantões exclusivos, ocupação da maior parte do tempo da grade dos noticiários e requintes dignos de um acontecimento estelar. Não nego a importância do ícone da música para o mundo, o mistério que envolve todo o caso, o modo como a história foi atípica, mas o que realmente interessa a imprensa é isso: um belo circo e um belo Ibope, pelo menos até uma nova desgraça sensacionalista acontecer e tomar a atenção dos nossos noticiários. Não entendo como se transforma a morte de um astro em uma novela das 8 em capítulos. Chega de disputa de egos e holofotes entre a mídia sensacionalista.
Negar-se a acompanhar o caso não nos livra da síndrome da notícia ruim. Saímos das páginas policiais, com os serial killers toscos e cruéis dos assaltos urbanos, e caímos nos escândalos de corrupção. Num país viciado em novelas, a morte de Michael Jackson aumentou absurdamente o Ibope dos telejornais. Mas muitos brasileiros estão saturados com o exagero. Talvez seja a minoria silenciosa. Não é hipocrisia, existe uma fronteira entre a cobertura responsável e as dramatizações excessivas.
Quanto aos justiceiros com tempo de sobra para se postar na frente da TV ou outros meios de notícias, sugiro que usem esse tempo para acompanhar a ressaca moral de nossos políticos que não poupam partidos ou ideologias em uma nação mesquinha, governada por parasitas que vivem entre o público e o privado, onde roubar dinheiro público é quase um prazer sexual.
Com mais de 6 bilhões de habitantes, problemas neste mundo não haverão de faltar, e notícias certamente também não faltarão para mostrar. Mas convenhamos, há notícias que são tão desinteressantes de acompanhar quanto a sua freqüência com que ocorrem em nosso cotidiano. Então, não será o momento dos fãs ou simplesmente admiradores pós-morte, ponderarem quanto às críticas?
JADIELSON ALEXANDRE DA SILVA, ARAPIRACA (AL)
RESPOSTA
Este email é em reposta as cartas publicadas por Euclides Dourado e Patricia Manso sobre o Michael Jackson.
Ainda bem que a Piauí não publicou nada, exceto a tarja ao lado. Confesso que fiquei preocupado, pois era bem provável que se abrisse a revista iria encontrar algo relacionado ao falecido. Mas por sorte nada.
Muitas mídias de todos os formatos: twitter, blogs, radio, tv, revista, revista em quadrinho, noticiaram a morte de mais um "dito" ícone da música. Mas para mim, e para muitas pessoas, isso não causou nenhum sofrimento ou tristeza, em mim fiquei até feliz porque ele não fará mal nenhum a mais nenhuma criança, se é que ele conseguia fazer algo pois era muito decadente a sua forma, mais aprecedi com o MunHa.
Pois bem, Não acredito que a Piaui tripudiou em cima desta pessoa, e sim se reservou em não escrever nada, e espero que nunca escreverá nada.
Muitas pessoas morrem todos os dias, e a minha pergunta para estas duas pessoas é, o que você ganhou com isso? por algum acaso ele te dava bolsa familia? e as crianças que morrem na África e em outro lugares do mundo, isso você aceita, mas quando se faz uma piada inteligente sobre uma pessoa que na verdade já morreu há muitos anos você fica irritada? faça-me o favor.
Tenho dito.
CARLOS TADEU PANATO JR , PORTO ALEGRE
MOSCOU
Eduardo Escorel é chato!
João Daniel Almeida, Rio de Janeiro (RJ)
CENTRO ACADÊMICO E PIAUÍ
Diretamente do informativo mensal do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná: "12. assinatura Piauí. Debateu-se sobre a concepção da revista e sobre o valor de sua assinatura. Todavia o conselho definiu por não assiná-la em virtude de se discutir que a editora a qual pertence não ter compromisso com a alteração da realidade social, portanto concepção com a qual esta gestão não coaduna. Assim, ficou determinado que a secretaria buscará periódico cultural tão interessante quanto, mas que não seja desta editora." Abaixo, Pingüim mau! Pra editora não importa o social!
Pedro F. Souza, Curitiba (PR)
NOVA ORTOGRAFIA
Embora tenhamos mais tempo para nos adaptarmos às novas regras ortográficas, gostaria de saber por que a piauí ainda não utiliza essas novas regras. São várias ideias com acento, outras tantas assembleias também.
SUELEN CERBARO, Brusque (SC)
nota do editor: nossa idéia, adotada sem unanimidade numa assaz conturbada assembléia geral - na qual os reformistas, à força de laboriosas manobras, anacolutos impolutos e catacreses cretinas, levaram a melhor -, é piauizar a nova ortografia por ocasião do nosso terceiro glorioso aniversário, em outubro próximo.
LUTA DE CLASSES
O ensaio de Slavoj Zizek (piauí_34, julho 2009) cairia bem melhor no Granma, o jornal oficial do Partido Comunista de Cuba, ou do MOCQMV, Movimento dos Órfãos do Comunismo que Querem o Muro de Volta. O autor parece repetir o tempo todo o refrão daquela música do Raul Seixas, Tente outra vez. Que papo furado é esse de que é preciso defender a "hipótese comunista"? Que lenga-lenga é essa de comunismo como "inclusão dos excluídos"? E que conversa mole é essa do sr. Alain Badiou, que afirmou que "sem a Idéia comunista, nada no devir histórico e político tem qualquer interesse para um filósofo"? Quer dizer que a filosofia, desde Platão e Aristóteles, nada mais é do que um departamento de propaganda do comunismo? Quando é que vocês vão mostrar que são mesmo independentes, publicando textos de autores "conservadores" e "de direita", em vez desses neomarxistas de galinheiro?
GUSTAVO HENRIQUE MARQUES BEZERRA, Brasília (DF)
FICÇÃO
Assim como Nuno Manna, o autor de "Qu4tro figuras (e mais 2)" (piauí_34, julho 2009), eu também nado contra a maré "política" do STF, com uma leve risadinha de canto de boca.
CHRISTYANN LIMA, São Luis (MA)
TWITTER
A piauí não se renderá ao Twitter? Manchetes diárias do The piauí Herald seriam muito mais interessantes que o pseudoativismo de pseudocelebridades.
FERNANDA PERRIN, Atibaia (SP)
nota do editor: Aguarde outubro.
PORTFÓLIO BRASÍLIA
O autor da legenda aplicada à imagem da Esplanada dos Ministérios no portfólio sobre Brasília (piauí_34, julho 2009) não foi feliz. Cinquenta anos depois, a Esplanada não se encontra "cercada de prédios" e privada de sua "imponência". A cidade cresceu, neste meio século, mais para os lados que para cima, afogada em periferias. Senhor autor, conheça a capital. Serás hospitaleiramente recebido por este amigo, com a picante galhardia sertaneja da qual uma amostra é esta bem-intencionada crítica, e poderemos constatar estupefatos e ufanados da grandeza do nosso país que a imponência da Esplanada dos Ministérios permanece inalterada.
DIOGO CARVALHO, Brasília (DF)
DIÁRIO KEN COLGAN
Sir Kenneth Colgan, se tentou fazer uma piada - "O Brasil é o máximo! Venham conferir" -, coloque legenda para podermos rir (humor inglês). De qualquer forma seja sempre bem-vindo, e da próxima vez que estiver de férias no Brasil, tire o escorpião de seu bolso para contribuir para o aumento de nosso PIB. Vamos receber os ingleses. Eles são o máximo!
CASSIO BETINE, Birigui (SP)
DIÁRIO DAPHNE MERKIN
Confesso que quando vi a seção Diário com alguém de fora logo imaginei: "Ih, eles não conseguiram nenhum sujeito comum para escrever." Até que, a cada parágrafo do texto de Daphne Merkin ("Diário do fundo do poço", piauí_33, junho 2009), ia entendendo um mundo tão diferente da maioria de nós e ao mesmo tempo existente em tantas pessoas em nossa volta, quando não em nós mesmos.
ANDERSON SANTOS, Maceió (AL)
MICHAEL JACKSON
Uma revista que aborda a informação de forma peculiar, utilizando-se de uma crítica inteligente, não tem o direito de tripudiar, de forma tão hostil, sobre alguém que sequer ainda tinha sido enterrado. Por se tratar de uma falta de respeito a um ícone póstumo comparável a John Lennon e Elvis Presley, desde já não levarei em consideração "nenhuma linha" publicada pela revista piauí.
PATRICIA MANSO, Brasília (DF)
MICHAEL JACKSON
Um dos "papas" do jornalismo literário - Gay Talese - declarou, em Paraty, que "seja qual for a razão que o legista der para a morte, não vai fazer diferença, ele começou a morrer quando as acusações ganharam as manchetes. Em conluio com os acusadores, estava a mídia americana... A imprensa deve desculpas a Michael Jackson". Por uma ironia da história a segunda morte do astro foi cometida pelo jornalismo literário. A revista que melhor representa esse tipo de jornalismo entre nós - piauí - estampou no canto superior direito uma tarja preta com três linhas bem destacadas: "exclusivo! Nenhuma linha sobre Michael Jackson."
Os editores da revista não se contentaram em não publicar nada sobre o assunto. Quiseram deixar bem claro aos seus leitores, e ao público em geral, que o assunto não é digno das páginas de um veículo moderno, intelectual, sério como a piauí. A pergunta que não quer calar é: por que uma revista tão "descontraída", tão moderna, não apenas se recusou a pautar o assunto, mas promoveu uma segunda morte do astro, ignorando totalmente o acontecimento e se vangloriando desse feito?
EUCLIDES DOURADO, São Paulo (SP)
ONCINHA NO CONGRESSO
Fiquei pasma, não, incrédula, não, ainda não, estupefata, pronto, acho que é a palavra mais impactante que pode expressar o que senti: estupefata ante a forma como nossos políticos assinam uma proposta de emenda à Constituição! Quando -Janileny (Esquina, "Deputado não resiste a oncinha", piauí_34, julho 2009) disse que "só um ou outro xarope pede explicação" sobre o que está assinando, nossa, aí sim, fiquei estupefata duas vezes: pela concepção aparente de Janileny quanto a uma pec e por nenhum político se informar sobre o que está apoiando! Não importa se uma pec é "difícil de ser aprovada". E se for aprovada? Você, que assinou, terá sido apoiador da proposta. Colocar mulheres sensuais para coletar assinaturas na Câmara, francamente! Não passa de uma espécie de prostituição constitucional. Cada vez aprendo mais acerca de nosso país com a revista. Obrigada, piauí, por me fazer enxergar que o buraco é muito mais embaixo do que eu imaginava.
MARIANE SAUER, Florianópolis (SC)
DILMA ROUSSEF
A mentira encobertada pelo populismo lembra-me a Alemanha de 1934. Lembra-me 1984, de George Orwell. Se não há compromisso com a verdade para que serve a liberdade de expressão? A quem serve a liberdade da imprensa, onde a verdade pode ser uma mentira "secreta"? Se, no país, ao réu notório é garantido o direito de mentir diante da Justiça, por que nós não podemos mentir corriqueiramente?
JOGHANS IHIMI, Rio de Janeiro (RJ)
DILMA ROUSSEF
Primeiro a vida romântica, agora a vida política! E a verdadeira estória, hein? Creio que o senhor que as escreveu é forte candidato a mais um contracheque estatal!
LEO TRISCIUZZI, Angra dos Reis (RJ)
DILMA ROUSSEF
Entendo que o jornalista optou por investigar a ministra Dilma por ela ser pré-candidata do governo à sucessão do presidente Lula. Seria interessante que também fosse feita investigação de outros currículos de pré-candidatos, como o do governador José Serra. Assim, se evitaria a parcialidade dessa revista com relação à preferência ou não de um ou outro partido ou candidato.
ALEXANDRE LOPES, Santos (SP)
DILMA ROUSSEF
A ministra Dilma Rousseff foi aluna regular do curso de pós-graduação (nível mestrado) em ciências econômicas da Universidade de Campinas no período de março de 1978 a julho de 1983, cumprindo todos os créditos exigidos pelo programa, conforme declaração assinada pelo coordenador de pós-graduação do Instituto de Economia da Unicamp, professor doutor Carlos Antônio Brandão. No ano de 1985, a ministra foi convidada e assumiu a função de secretária municipal da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre, deixando em aberto a defesa da dissertação.
Anos depois, a ministra cursou regularmente o doutorado na Unicamp no período de 1998 a dezembro de 1999, cumprindo todos os créditos obrigatórios, conforme declaração também assinada pelo professor-doutor Carlos Antônio Brandão. Novamente, foi convidada a assumir uma função pública, no período 1999-2002, assumindo logo depois a função de ministra de Minas e Energia (2003). Da mesma forma, não foi possível concluir a defesa do doutorado. Equivocadamente, o site da Casa Civil informava que a ministra é "mestre". A informação já foi corrigida.
DENISE MANTOVANI, DA ASSESSORIA DE IMPRENSA DA CASA CIVIL, Brasília (DF)
DILMA ROUSSEF
A propósito da reportagem "Mares nunca dantes navegados", a Unicamp retifica a informação prestada anteriormente à revista por sua Diretoria Acadêmica. O erro decorreu do fato de que, ao efetuar a busca do nome da pós-graduanda no sistema de registros acadêmicos da Unicamp, deixou-se de levar em conta o sobrenome final (Linhares) que a sra. Dilma Vana -Rousseff usava na época, e que não consta de seu registro acadêmico do curso de doutorado. Na Unicamp existem cursos de pós-graduação em que o mestrado não é pré-requisito para a realização do doutorado.
CLAYTON LEVY, DA ASSESSORIA DE IMPRENSA DA UNICAMP, Campinas (SP)
DILMA ROUSSEF
Sobre a reportagem da falsidade ideológica da candidata à Presidência ("Mares nunca dantes navegados", piauí_34, julho 2009), vocês verificaram se ela usufrui benefícios financeiros, tipo aumento de salário, em decorrência de sua pseudoformação?
LYGIA NEVES, Rio de Janeiro (RJ)