Revista Piauí


NOVEMBRO-CARTAS
O defensor de biografias
Tem-me causado grande surpresa, desde o primeiro número, o conteúdo das tiras "Vidas Literárias" (Literary Lives), de Edward Sorel - conhecido cartunista e ilustrador de capas de grandes veículos de
imprensa, como a Time Magazine, The New Yorker e Forbes. As tiras fazem parte de um livro homônimo, de autoria de Sorel, editado pela Bloomsbury Publishing PLC e lançado em abril de 2006.
"Vidas Literárias" traz o ponto de vista de Sorel acerca de grandes nomes da cultura e do pensamento moderno e contemporâneo. A Revista Piauí resolveu reproduzir algumas dessas tiras: Bertolt Brecht está
no número 1 e agora Carl Gustav Jung, no número 2. Como jungiano e fã de Brecht, peço um espaço para dizer que não entendi os motivos que levaram a Piauí a reproduzir essas tiras. Para começar, trata-se da
opinião de Sorel sobre ambos – qualquer pesquisa, por mais superficial que seja, demonstrará que os fatos retratados ali são no mínimo contraditórios e historicamente contestáveis. O tom é de fofoca e o
conteúdo, ácido e agressivo, colocando pensamentos e palavras 'na boca' dos protagonistas, descambando para o pessoal, e, por conseguinte, ofendendo a memória de ambos. Além disso, Brecht e Jung não são personagens do grande público – apesar de suas obras serem fundamentais para a cultura ocidental, estão anos-luz de pertencerem à chamada cultura de massas, sendo discutidos focalmente dentro dos estabelecimentos de ensino e das academias, não sendo citados nas novelas, filmes e seriados do planeta. Esses pensadores jamais pretenderam posar de impolutos, tampouco se tornar paradigmas do moralmente desejável. Desse modo, por que alvejá-los dessa forma? Que tipo de contribuição a Piauí espera trazer para o debate acerca desses autores, publicando um material ofensivo - o ponto de vista de outrem - sem sequer averiguar a consistência histórica de tais ofensas? A Piauí concorda com o ponto de vista do ilustrador? Por outro lado, o que pensa a crítica literária sobre a veracidade dos plágios brechtianos? Qual os comentários de Freud sobre o anti-semitismo de Jung? O que disseram os principais judeus seguidores Jung (Erich Neumann, James Kirsch, Aniela Jaffe ) sobre o assunto? O que dizem os historiadores sobre as situações retratadas por Sorel? Talvez o leitor que se deparou com esse 'outro lado' sombrio de Brecht e Jung, respaldado pela credibilidade editorial desse recém-lançado veículo, fosse mais e melhor informado se tivesse acesso também a essas informações.
Não se trata aqui de buscar a absolvição de Brecht e Jung - é provável que em algum momento o primeiro tenha partido / partilhado de idéias alheias (plágio) e o segundo se impressionado inicial e equivocadamente pelo nacional-socialismo - como boa parte dos germânicos. Agora retratá-los como falsários maquiavélicos (plagiador psicopata e nazista adepto libertino, respectivamente) em desprezo e desconfirmação à genialidade da obra de ambos é um erro crasso e lamentável. Edward Sorel resolver assinar uma publicação pessoal com um conteúdo desse tipo é uma coisa, uma revista com pretensões intelectuais sólidas, arrojadas e elegantes reproduzir o mesmo conteúdo pelo simples sabor da polêmica, na minha opinião, é uma triste coisa... Polemiza um debate que sequer existe, cria desafetos entre desconhecidos e desinforma desinformados. Para quê?
Marcelo Ribeiro, São Paulo (SP)

Círculo vicioso
A matéria "Auto de Natal aéreo", à página 6 da edição de novembro da revista, nos mostra bem por quê a economia brasileira vai crescer menos de 3% esse ano, ao invés de 5%, como o mentiroso ébrio contumaz e desavergonhado do Palácio do Planalto nos quer fazer acreditar. Pois enquanto o país tratar a pão de ló cada cria que uma vaca parideira como Francisca resolver pôr no mundo, cada fruto de um "namoro" com cada borracheiro ou lavrador com que ela "cruze" em seu caminho, desviando dinheiro dos investimentos e do controle de tráfego aéreo por exemplo, pra fabricar mais um presidiário, que vai fazer subir ainda mais o preço do seguro do nosso automóvel, enquanto isso acontecer só o que podemos esperar é continuar vivendo o país no círculo vicioso em que está, é termos mais eleitores do barrigudo barbudo salafrário. Me faz lembrar com saudade as cenas de crianças esquálidas morrendo de fome antes da Pastoral da Criança fazer o trabalho que fez. Me faz ver como eu era inocente à época, quando clamava interiormente por uma solução para aquela cena. Enquanto outras Franciscas forem pondo filho no mundo criado com dinheiro do Centro-Sul deste país, em busca daquele que vai virar um Ronaldinho e levá-la pra morar numa mansão na Espanha, não vai faltar emprego pra jornalista esquerdista.
Mateus de Oliveira Fechino, Ribeirão Preto (SP)

Viva Vanessa
Adorei a revista, e adorei a matéria da Vanessa Barbara. Vi a indicação do blog dela no programa do Jô, e os textos são realmente muito engraçados. O humor, diga-se, é inteligentíssimo, ao contrário do que se vê por aí. Um abraço a todos e meus parabéns pela publicação.
Ygor Colalto Valerio, São Paulo (SP)

Sim, existe!
Parabéns pela Revista! Adorei! Contrariando Nelson Rodrigues, o Piauí existe. É aqui!
Elia Puppin, Rio de Janeiro (RJ)

Primogênito
Espero que seja o primeiro de muitos sucessos que ainda estão por vir, por sinal, são por eles que ansiosamente espero...
Rodrigo Nikobin Fanelli, Campinas (SP)

O poeta-leitor
Um anúncio na piauí
E dona Almira Morais,
da mineira Sabará,
manda me oferecer
um pé de jabuticaba,
dizendo, em pequeno anúncio,
que no seu Sítio Palmar
serei rei por quase um dia,
pagando pequena taxa
pra comer fruta no pé
ou mesmo levar pra casa,
feito um romano em Pompéia,
papando, das frutas, cada.
Pudesse eu ir agora
à mineira Sabará,
chegava num jipe velho
no belo Sítio Palmar
e dizia: dona Almira,
vim aqui para alugar
não um, mas dois, bem fornidos,
dos pés de jabuticaba,
e, dá licença?, estender
uma rede do Ceará
neste aconchego de Minas.
Me punha a me balançar
desfrutando das frutinhas
que são tão raras por cá,
e me fazia morando
numa crônica do Braga,
mussitando, de Bandeira,
aquela história pasárgada.
Virgílio Maia, Fortaleza (CE)

Vida longa a Angeli
Eu já tinha ouvido falar da revista. Por sinal, muito bem. Então resolvi comprar a edição de novembro. Ainda não li nada, mas graficamente ela é maravilhosa. E, como eu sou fã de HQs, achei uma delícia a colaboração de Angeli. O trabalho é tão bom quanto os das Funny Pages do New York Times. Eu desejo vida longa à revista e um espaço cativo aos mestres da nona arte.
Ricardo Santos, Salvador (BA)

Marketing viral
Eu apreciei muito a revista Piauí, desde a entrevista no Jô Soares, que me levou à curiosidade de entrar no site. Mesmo com a generosa proposta de ter parte das reportagens oferecidas sem ônus (umas, inclusive enormes e interessantíssimas), tive que procurar pelo exemplar em espécie por dois motivos: 1) Coyote X Acme não estava disponível na web e 2) O número 1 de qualquer revista é sempre um charme. Também, não era uma revista qualquer. Sou de Sorocaba - nenhuma Piauí nas bancas. Fui a São Paulo (calma, antes de ter um ataque de soberba, saibam que não fui para São Paulo exclusivamente para comprar a Piauí) e triste constatação:- numa banca em frente ao metrô Vila Madalena uma pilha de "Piauís", primeiro número, empoeirando no chão. Já havia chegado a número 2, e daí? Uma pequena crítica, a não ser que vocês estejam atrás do marketing viral, uma divulgação mais ousada seria oportuna - repito - só soube da revista pelo programa do Jô.
Ney Anderson Bedin, Sorocaba (SP)

O devorador de textos
Ia ontem para o curso de inglês quando topei com a piauí numa loja de conveniências, tomando meu pingado com pão de queijo. De ontem pra hoje, devorei todas as reportagens. Amanhã, como jornalista que sou, de 22 anos mal saídos das fraldas, volto pra redação do jornal, na minha habitual editoria de política, tão ortodoxa, me perguntando ainda quando terei talento para fazer como vocês, piauienses da piauí. A revista é magnânima, me apaixonei e assinei há poucos minutos. Sorte na empreitada! Um viva à piauí :-)
Ligia Gielamo Oliveira, Campinas (SP)

Ótimo rever o mito
Parabenizo a Piauí pela excelente matéria sobre Palíndromos. Já conhecia o conceito há bastante tempo, mas não tinha idéia do universo existente em torno do assunto. Foi realmente "Ótimo rever o mito", eis aqui meu primeiro palíndromo!
Maxwell Farias do Nascimento, Brasília (DF)

Um educador feliz
É muito bom ter o que ler todas as horas e não só as 19 h. Melhor ainda é ter um parafuso a mais. Parabéns a todos vocês pela iniciativa e coragem de fazer algo novo. Como educador fico muito feliz em ver a revista debaixo do braço de nossos alunos de graduação aqui da ESPM RJ. Abraços a todos.
Alexandre Mathias, Rio de Janeiro (RJ)

Dúvida existencial
Mas, afinal, o limbo existe ou não? O Papa, que não é mais tão infalível assim, pode decretar a existência ou não de um lugar divino, acima (ou abaixo) dos homens. Ele poderia acabar com o céu ou com o inferno. Então, para que acreditar nisso tudo? Podemos ser bons sem esperar recompensa ou maus sem temer castigo. E Mohammed Atta não está nem no paraíso das 72 virgens reservadas aos mártires, nem no Hades, por ter derrubado as Torres Gêmeas. Posso deixar meu corpo para os acadêmicos de medicina estudarem sem temer que este apareça desfigurado no pós-morte. Adorei esta edição!
Luiz Augusto Módolo de Paula, São Paulo (SP)

O estilista de Che
Se houvesse pena de degredo no Brasil, Matthew Diffee deveria ser degradado para Jerumenha (interior do Piauí) e lá permanecer, no mínimo, por um ano para expeiar a sacana capa de Piauí 2. Isso é coisa que se faça, ò Mateus!? Vestir O Che com a cara do idiota Bart simpson no peito?
Amadeu Amaral, São Paulo (SP)

Puro elogio
Saudações a esta maravilhosa revista. Achei a número 2 em uma banca e por pura curiosidade gastei os reais. Muito bem aplicados. Uma revista bonita, um projeto gráfico limpo, dinâmico, que cria uma empatia, um sentimento de fruição imediatamente ao "primeiro olhar". As matérias são de refinada inteligência e bom gosto. E quero saudar o Saulo Pereira de Mello, que além de ser o responsável de oferecer ao prazer da civilização (e mesmo como para o fim da barbárie da "civilização") a restauração da obra prima Limite, do Mário Peixoto, ato que por si o eleva à categoria dos imprescindíveis, nos brinda com esta saborosa receita que, de tão saborosa de se ler, deve ser degustada em ritual único na vida de cada um de nós, reles goiabas... Quanto ao texto do Antônio Prata, acho que ele errou de gênero e de cineasta: o texto dele é um roteiro do mais elaborado documentário, dentro da linhangem dos nossos melhores cineastas, como o Eduardo Coutinho e João Batista de Andrade e que tais... Parabéns pela matéria, pela pesquisa e pelo visual que ele nos proporciona com seu filme-de-estrada.
Marcos Valério Guimarães, Vila Velha (ES)

Piauí pára-raios
Quando fiquei sabendo que lançariam uma nova revista, diferente das mesmices pedantes atuais que se tem nas bancas, contei os dias para o lançamento. Em um encontro literário em Pernambuco, se eu não me engano, foi a primeira vez que ouvi falar da Piauí. Hoje, sou assinante, embora a primeira edição acabei comprando por não agüentar esperar, e estou contente com os dois primeiros exemplares. Uma forma diferenciada de fazer jornalismo, (quem é o pauteiro? Esse cara é muito louco) o qual se aproxima bastante com um jornalismo literário, e também que tem uma criatividade sem limites nos textos e nos desenhos. Aliás, é uma das primeiras revistas que leio em que, realmente, tem textos, e densos, porém chamativos a ponto de você não desgrudar da revista enquanto não a ler inteira.
Mas, o melhor de tudo, ainda mais nesse horário de verão, é que devido ao forte sol que tem feito, e ainda nos horários em que eu estou na circular (busão), a revista – 'tabloidão' – Piauí, me protege dos raios nocivos. As pessoas ao meu redor, que vêem aquele revistão com um Che vestido em uma camisa de Bart Simpsons, devem se perguntar: "Será que lançaram uma revista nova dos Simpsons ou será que estão zoando com a cara do Che? Esses jornalistas viu, não tem mais o que inventar!"
Wilame do Prado Elias, Maringá (PR)

Como se fosse filme
Finalmente uma revista de conteúdo, que dá gosto de ler. Em cada matéria, uma imersão.
Em cada assunto, um mundo descoberto. Uma mistura de colaboradores que dá um caldo nutritivo para os famigerados axônios. Leva um nome que, ainda para muitos seja uma incógnita, mas que se explica sem saber. Destaque para a matéria "De elefante a formiga", escrita incrivelmente por Consuelo Dieguez.
Foi como se estivéssemos assistindo um filme (eureca!). Tamanha a riqueza de detalhes e intervenções
entre descrições do momento da entrevista com a narração da história de Luiz Cezar Fernandes.
Obrigada por proporcionar momentos agradáveis.
Fabiana Gomes Pierini e Maria Tereza Próspero, Uberlândia (MG)

Palindromista na ativa
Parabéns a essa sensacional revista. Neste número, em especial, à reportagem sobre palíndromos.
Quatro exemplos de palíndromos de minha lavra, dois sobre o Pelé e 2 sobre a Toyota:
O mito é ele Pelé, e ótimo
Nos dê o gol logo edson
Lima adora Toyota, roda a mil
Ande, liga Toyota ágil, Edna
Como a Vanessa Bárbara assina a reportagem principal, fiz um palíndromo para ela:
A danada Barbara rar dará radar? Arara braba da nada!
No mais, vocês são dignos de todos elogios pela revista.
Antônio José de Carvalho, Itajubá (MG)

Mais um que se arrisca
Inspirado na matéria sobre os palíndromos, bolei alguns e postei no meu blog. Caso interesse:
http://oiretemeh.blogspot.com/2006/12/acaba-babaca-revista-piau-de-novembro.html88013642oi leli, me mande um tel fixo para que eu possa falar com vc!
Hemeterio, Fortaleza (CE)

Fonte de inspiração
Como posso agradecer por vocês terem surgido no exato momento em que pensava seriamente na idéia de existir do curso de Jornalismo, no último semestre? Faltava inspiração para a mesmice da sala de aula e principalmente para o tal do 'projeto final'. Estava começando a achar que realmente não valia à pena, afinal não estava conseguindo me identificar com naaaaaaada que lia ultimamente. Ufa! Foi um alívio!!!! Uma luz no fim do túnel, com nome e conteúdo pra lá de intereressante. Como sou uma Apaixonada (com 'A' maiúsculo mesmo) por cinema e especialmente por documentários, teimo em achar que tinha que ser alguém da área pra ter uma idéia dessas. Como se diz aqui na minha terra. "Oxe, tinha que ser, pra aparecer com uma idéia tão arretada como essa!".
Valeu. Vou continuar usando a 'piauí' como fonte de inspiração. E olhem que a descobri por acaso, pendurada no local mais inusitado, uma banca de jornal atrás de um mercado de frutas e peixes, na região central de João Pessoa. Totalmente fora dos circuitos ditos antenados, modernosos e inteligentes. Graças a Deus!!!
Lilla Ferreira, João Pessoa (PB)

Reclamo
Eu, como amiga da família de Luiz Cezar Fernandes, venho por meio deste email, mostrar minha verdadeira indignação, com a matéria sem gosto, caráter, e, sem nenhum escrúpulo, escrita pela Senhora [Consuelo Dieguez].
Fui até uma banca de revistas, comprar especialmente um exemplar desta revista (que pelo que sei, é nova no mercado) para ler uma matéria que seria publicada na mesma, sobre o meu amigo.
Eis, que logo na capa, me deparo com a seguinte manchete : "A TRAIÇÃO: COMO LUIZ CEZAR FERNANDES PERDEU UM BANCO DE 2,6 BILHÕES DE DÓLARES".
Não acreditei no que estava lendo... E, logo na capa... Correndo, abri a revista para ler o conteúdo da matéria.... Claro que não era nem preciso.. pois só a capa já me mostrava que a intenção desta matéria não era das melhores!!!!!! Como realmente não foi. Foi, umas das piores matérias que já li na minha vida!!!!!! Com certeza!!!!!!!!! A cada palavra que eu lia, me dava um nó na garganta, pois se trata de uma pessoa maravilhosa, com um coração maior ainda, sendo retratada como um perdedor... Coisa que ele não é, e, nunca foi. E só! Mais nada..... Não foi escrito uma palavra boa, mesmo a senhora tendo sido tão bem recebida naquela Fazenda, como todos nós somos!!!!!
Tomara que ninguém compre esta revista!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Se depender de mim, com certeza essa sua revista vai ser um verdadeiro fracasso, isso, se já não é, diferente do que é a vida e história de Luiz Cezar Fernandes, que a senhora com esta matéria barata, quis deturpar!!!!!!!!!! Agora, só mais uma pergunta, quanto a senhora ganhou para escrever esta matéria? Se é que posso chamar este rascunho mal escrito, mentiroso, e, cheio de má intenção de matéria? E, tenha cereza, que outras pessoas ficarão tão indignadas como eu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Gabriela Mota, Rio de Janeiro (RJ)

O destino do presunto
O assunto é obviamente polêmico, portanto fica estranho quando mal são apresentadas as visões dissonantes. Foi dito que no Canadá eles não usam corpos em aulas de anatomia. Por que não seria essa uma alternativa para o Brasil? É muito caro? É muito pior que a matéria prima humana?
Da forma como foi escrita a matéria acaba sendo pouco mais que uma peça publicitária de campanhas de mobilização: "Doe seu presunto"
Flávio Augusto Rios, Rio de Janeiro (RJ)

A lua para Paula
aí é luta, patuléia! Há uns anos, inspirada por "lá vou eu no meu eu oval" escrevi "a lua para Paula", uma espécie de palíndromo auto-referente mas, enfim, gostei! Fiquei por aí, tentei um para o meu, na época, namorado chamado Carlos, tinha sol no nome o que faria um par romantico com lua, um pouco clichê talvez. Fato é que não consegui. Agora, ao ler a matéria me inspirei de novo. Primeiro foi um em homenagem ao meu filhote "olé Tomás amo tê-lo" e "É Tomás amo-te", mãe coruja é assim. Aí resovi homenagear meu agora marido "meta carlos, sol raça tem" na linha nonsense mas pelo menos desta vez saiu alguma coisa. No fundo estava instigada a fazer um palíndromo com "Fidel", para ajudar o jovem palindromista. No caminho topei com "livro, amor vil' e por fim "ama Fidel e difama". agora estou na luta com "diarréia", posso dizer que tá difícil...
Paula Fonseca, São Paulo (SP)

O contraponto do parasita
Interessante o artigo de Marcos Sá Corrêa, intitulado "O agente clandestino", publicado na presente edição de Piauí. No entanto, senti falta de uma contraposição à citada matéria de Carl Zimmer que, digamos, soou o alarme para a possível interferência do toxoplasma gondii no comportamento cultural das sociedades. Acho que Sá Corrêa poderia ter dado um passo além ao do jornalista do NYT se tivesse adotado uma postura mais crítica e desnudado mais uma vez essa tendência norte-americana de criar doenças e vender remédios, bem ao gosto da indústria farmacêutica. Só que agora, a coisa é mais séria. Não se trata mais de nomear um processo natural como doença, como no caso da TPM, inventada a partir dos anos 80; ou mudar os nomes de pertubações mentais, como neurose, psicose etc. para distúrbio disso ou daquilo, todos eles com medicamentos associados, em que praticamente se descarta a possibilidade de um tratamento sem remédios, pela Psicanálise ou outra psicoterapia qualquer. Agora, querem perigosamente passar por cima da Antropologia e da Sociologia, retrocedendo novamente ao já superado determinismo biológico para justificar comportamentos sociais e diferenças culturais. Só que em vez de medir os crânios, como se fazia no auge do Iluminismo científico do século XIX, agora usam um parasita, que se junta ao Olimpo das sociedades industrais. Seres intangíveis, como Deus, numa religião cada vez mais incrustrada nos grandes laboratórios, esses xamãs das sociedades complexas e seus seguidores na mídia acrítica. O perigo por trás desse determinismo biológico é o da retomada e renascimento de teorias totalitárias, racistas e justificadoras de uma pretensa superioridade de uma sociedade em relação a outra. Isto sem falar no grande retrocesso que é voltar a uma discussão que já fora devidamente soterrada há décadas. Sá Corrêa poderia voltar ao assunto, num próximo número, ouvindo outros cientistas, das áreas sociais e humanas, sobre o real poder esses vermes no nosso cotidiano.
Paulo Thiago de Mello, Rio de Janeiro (RJ)

Ler com Satisfaction
Quando foi a última vez que peguei uma revista ou jornal e o li com interesse e ‘satisfaction’ do começo ao fim? Não me lembro... Mas o que mais me agrada
em "Piauí" é uma certa tristeza sempre acompanhada, porém, de espanto e admiração que, imagino, sinta quem se deixa atingir por boa parte de suas matérias.
Também, por isso, o seu nome é ideal.
Christian Werner, São Paulo (SP)

Ausência
Faltam grandes reportagens em Piauí 2. Essa segunda tá bem inferior à primeira. A reportagem dos palíndromos é legal, passa. A da Dutra é a que mais se aproxima do JL. Os textos do João, do Sá Correa são legais...
Mas faltam grandes reportagens. Se continuar desse jeito, se mantém como uma revista diferente, mas não supre a lacuna das grandes reportagens, do Jornalismo Literário. Veremos os proximos números.
André Julião, Campinas (SP) no Orkut

O ex-órfão
Desde os 14 anos de idade, meu passatempo predileto sempre foi ler, devorar qualquer coisa que tivesse o meu alcance... Desde os clássicos russos, passando pela dramaturgia americana dos anos 50 e pelo trash cult dos anos 60 e 70, além das revistas de sacanagem que ficavam escondidas debaixo da minha cama - e que a minha avó sabia e fingia que eram páginas da Bíblia ...
Hoje eu moro em Paris, colaboro com várias revistas na Europa, entre elas: Vogue, AD France, Elle Decor ... Este besteirol todo ... Coisas que acontecem na vida da gente e nem sabemos como... ou nem queremos saber. Voltando à parte mais importante: a adolescencia - eu ainda me recordo os professores dizendo entre eles: Esse garoto não vai a lugar nenhum na vida! Pois fica grudado lendo esta tal de Interview ...
Pois é ... Como todos os adolescentes, eu cultivava meus heróis - e um deles era o editor in chief da revista: Mario Mendes - que, claro, vocês devem conhecer ... Anyway ... mas para dar uma refrescada na memoria, pois em nosso pais esta palavra se perdeu ... ele vai bem, obrigado. Mora em Sãoo Paulo, tem o melhor texto do mundo, a maior cultura, o maior bom gosto e o melhor senso de humor ... fashion, política, cinema ... tudo isso e muito mais.
Quando a Interview acabou, fui parar em orfanato... não me lembro bem os nomes, de tão desinteressantes que eram ...
Pois não havia nada legível - Após anos no rehab...voltei com minhas forças e esperanças e olhos atentos a cada parágrafo da Vanity Fair e da The New Yoker , esta segunda tão cansativa ...com aquelas letras miúdas que dão uma vontade de dormir ... A única coisa válida eram os portraits do Richard Avedon que eram divinos ...
Well , quando vi a sua revista entrei em estado de choque! Finalmente algo está acontecendo no Brasil... Algo que não via há muito tempo... Inteligência, humor e autenticidade... coisas que o país perdeu de alguns tempos para cá com esta imprensa de Caras e Bocas .
Então , como o velho ditado diz : Se Maomé não vai à montanha , a Montanha vai a Maomé ....
Precisa dizer algo mais? Querem o email dele? Parabéns pelo sucesso! E continuem assim!
Danniel Rangel, Paris (França)

   

 
Por questões de clareza, piauí se reserva o direito de editar as cartas selecionadas para publicação. Não deixe de informar a cidade e o estado de onde escreve.


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