Revista Piauí


DEZEMBRO-CARTAS
Desabafo
Qual é a de vocês publicando as "Vidas Literárias" de E. Sorel? (ou seria a "vida ressentida" de E. Sorel? O que Brecht e Jung fizeram ao coitado?) O que o povo aí da Piauí pensa? E como ficamos nós, leitores, tendo que aturar isso?
Marcia M. Coelho, São Paulo (SP)

O analista
Acho que, das três edições até o momento, esta foi a mais fraca. Começando pela capa , que é óbvia e precoce. Sobre Millôr Fernandes, talvez eu não conheça sua importância, mas, de qualquer forma, a inserção de seu nome por toda a revista foi exagerada. A matéria sobre os imigrantes bolivianos é boa, e o tratamento sobre eles foi diferenciado, pois geralmente são tratados como ratos que impesteiam a cidade. Na seção Esquina, a maioria dos textos são muito bons: . eu que já passei pela Feira do Rolo várias vezes ( sem " entrar ") e, apesar de concordar que o local pode ser relativamente seguro, desconfio em fazer compras lá . Porque é assustador como a feira simplesmente "surge". Por algum tempo, passava lá com freqüência em horários regulares. O local sempre estava vazio, mas, uma vez que passei atrasado dez minutos, a feira já estava pronta. . a história sobre o que houve com os meninos de Natal é impressionante ; . a lembrança a Ronaldo, o maratonista foi relevante; . idem sobre o PCB; . o texto sobre a Galoucura mostrou uma torcida organizada por dentro, depois de uma campanha em que o papel desempenhado por eles foi um dos fatores que ajudaram o Atlético-MG a voltar à elite. "Enlarge Your Penis!" com certeza foi o texto mais divertido, sem ser de comédia. Diferente do texto de Steve Martin, que tentou tanto ser engraçado, que foi ruim. O perfil de Emir Sader foi muito relevante. Certo que boa parte dos leitores de Piauí deviam já conhecer Sader, mas com certeza o apresentou para outra grande parcela . Fernanda Torres surpreendeu pela qualidade do seu texto e pela análise do stagefright. Até apuração teve. Além de incluir a análise social que " não permite" ao ator brasileiro ter o tal stagefright. A seção Viagem seguida pela seção Ficção faz confundir o que é verdade ou não. O que faz lembrar da edição 1, que trouxe a fictícia Moldânia. Acho que não publicariam uma viagem imaginária antes de uma história declaradamente ficcional. Aliás, dá a impressão de que a Holanda é um lugar que só se vai para fazer o que fizeram Geoff, Dazed e David. Quanto aos diários proibidos de Guimarães Rosa , é importante mostrar o que a família (inegavelmente em seu direito ) faz contra a cultura brasileira . Ler sobre Beatles sempre é bom, né? Ainda mais uma análise muito bem feita como esta. Em alguns momentos ficou chato (quem lembra de tantas músicas? não sou fã a este ponto), mas Marcelo Fontes defendeu muito bem seu ponto-de-vista. E a conclusão sobre a carreira solo dos ex-Beatles foi corajosa, porque não devem ser poucos os fãs de John Lennon que ficaram indignados. Sobre a ausência de Ivan Lessa, não fez falta . Será que foi pressão popular?
Daniel Momesso, São Paulo (SP)

Uma questão de coerência
Perfeita a colocação de Fernando de Barros e Silva, quanto a Emir Sader: “quem aprova a execução de dissidentes cubanos, não pode ser a favor da livre expressão”. Onde está a coerência destes estranhos seres conhecidos como “intelectuais de esquerda”?
Norman Alves Silva, Itajubá (MG)

Caçador de tesouros
Para um piauiense, o mais bacana em ler a piauí é brincar de caça-ao-tesouro. Vocês não sabem, mas descobrir o verbete Piauí perdido nessa multifacetada recriação histórica, que vocês apelidaram de revista, é a glória.
Daniel Castelo Branco, (PI)

Piauí no eMule
Sem querer içar velas contra os vigorosos brumários internéticos, me permiti o despudor de buscar no eMule tão singela palavra – piauí – e aguardar os resultados da pesquisa com ligeira inquietação. As sessenta e cinco ocorrências encontradas surpreendem, a despeito de quaisquer de seus conteúdos, pela curiosa variedade de temáticas, o que me faria ousar oferecer a alguns destes intrigantes resultados uma menção especial: 109-juca_chaves-take_me_back_to_piaui_(dubben_mix).mp3
Luiz Gonzaga – >From United States of Piaui.mp3
Lázaro do Piauí – Tô chegando.mp3
22 Associação Cultural Reisado do Piauí (Teresina) Burrinha.mp3
Mapa do Estado do Piauí figura 20 página 20.jpg
[HiA]00287 – Christmas Images in the Media in Northeastern Brazil_The Case of the State of Piaui.pdf
029_Piauí inicia produçao de biodiesel.pdf
Hino do Piauí karen.doc
Piauí.frd Considerei um bom presságio, e encontrei a animação necessária pra sair de casa e ir até a banca da esquina resguardar minha edição da revista. Na busca, é piauí com acento. E com letra minúscula. Sim, Brasília tem esquinas.
Diogo Cão, Brasília (DF)

Arquitetos?
Adorei a revista. Leio tudo. Me lembrou uma revista chamada Senhor que comprei uns exemplares num sebo. Falava sobre tudo. Coisa atemporal. Contos de Clarice Lispector, charges do Jaguar, poesia, receitas, até fotonovela com o Mielle. Mas o que me encantou foram os projetos de arquitetura do Sérgio Bernardes. Desde projetos de uma sala até de um prédio, com fotos, croquis e textos que são verdadeiras crônicas. Que tal se voces convidassem uns arquitetos?
João Mário Adrião, Cuiabá (MT)

Stagefright
Sou assinante da Revista Piauí e neste número 3 encontrei uma preciosidade que justificará por muito tempo o investimento em acompanhar de perto essa bem inspirada iniciativa cultural: O texto de Fernanda Torres. Mesmo não sendo atriz e pertencendo à área de Letras, encontrei nas linhas cartografadas por Fernanda Torres muito do que circula nos labores literários e também na vertente crítica e teórica que os acompanha. É com muita admiração que a parabenizo pela escrita impecável e pela sensibilidade e inteligência que mostrou enquanto ensaísta, não só ao lançar luz sobre o teatro e o ofício do ator, mas ao estendê-la às outras artes, ainda que não explicitamente mencionadas (mas que comparecem à mente do leitor durante sua reflexão).
Cátia Assunção, Rio de Janeiro (RJ)

Piauí no ônibus
Piauí concretizou tudo o que eu sempre imaginei que seria uma revista ideal. Ética, estética e maturidade jornalística. E - o melhor - apreço à linguagem (tanto escrita quanto visual). Cultura sem falsas pretensões. O trivial explorado pelos ângulos mais originais possíveis. Os textos são saborosos e têm uma visão sensível do cotidiano. Cheguei a traduzir alguns para amigos estrangeiros. Para os leitores que reclamaram do conteúdo, do formato e do papel, só tenho a lamentar (mais uma vez) a mediocridade. Leio Piauí no ônibus lotado. E de pé.
Carmen Guerreiro, São Paulo (SP)

Dos pés à cabeça
Ótima, essa Piauí que vocês inventaram. A única revista que consigo ler do começo ao fim (ok, confesso que pulei algumas matérias). Tá certo que lembra um pouco o Pasquim, mas país que reelege burrice não pode exigir originalidades, não é mesmo? Quando tiverem um tempinho, dêem um pulinho aqui em Araçariguama, terra do avião do JK, do homem verde de lata, do prefeito da cueca verde e do Banqueiro do Sertão, personagem do último livro do Jorge Caldeira. Continuem assim. Ou não!
Mario Messaggi Jr., Araçariguama (SP)

O gênio Millôr
A prova maior da excelência do conteúdo editorial e a qualidade gráfica da revista Piauí, foi dada pelo genial Millôr. O gênio deixou momentaneamente sua luzidia lâmpada e, num gesto inusitado, praticamente assumiu a última edição da revista. E nos presenteou como sempre fez, como sempre faz. De cabo a rabo, de capa a contracapa, espargiu gotas de sua caudalosa e brilhante arte. Verdadeiras pepitas saídas de um veio de máximo quilate ou de um aluvião sem fim. Parafraseando o Mestre, humildemente proclamo: "Se me restasse apenas dez minutos de vida, usá-los-ia caminhando em direção a essa fonte, para saciar minha sêde diletante neste manancial de sabedoria inesgotável" Saúde e vida longa, Millôr!
Antônio José de Carvalho, Itajubá (MG)
   

 
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